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Os deputados federais 333 bet casino -Zucco (Republicanos-RS) e Ricardo Salles (PL-SP), presidente e relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), respectivamente, preparam um ambiente de guerra para receber João Pedro Stedile, líder do movimento que depôs nesta terça-feira (15) na comissão.

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Na véspera do depoimento, Salles e Zucco decidiram que a sessão aconteceria no Plenário 4, onde cabem 80 pessoas. O Plenário 2, onde normalmente ocorrem as reuniões da comissão, tem capacidade para 150 pessoas. Nos bastidores, ficou evidente que a medida foi tomada para evitar que a militância do MST pudesse ocupar a sala e influenciar o ambiente.

Após quase três meses de baixa adesão popular e com cobertura tímida da mídia, o depoimento de Stedile era a bala de prata para os parlamentares bolsonaristas, motor propulsor da CPI. Ao final da audiência seria possível saber se a comissão ganharia uma sobrevida ou se morreria.

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Antes do depoimento, deputados governistas, apoiadores do MST, ocuparam a primeira fileira do plenário, todos usando o boné do movimento. A medida foi uma decisão da bancada para demonstrar apoio a Stédile.

A lista de inscrições também foi alvo de uma tática de governistas. Os parlamentares apoiadores do MST decidiram que se dividiriam em dois blocos, no meio da relação, para que a sessão tivesse um respiro, após a intervenção de parlamentares bolsonaristas e no final, para garantir que o encerramento não fosse feito pela oposição.

Quando Salles inaugurou a sessão, silêncio absoluto no plenário. Era a primeira vez que o ex-ministro do Meio Ambiente, símbolo da defesa do agronegócio quando chefiava a pasta, encontrava publicamente com Stédile, um dos principais nomes da luta pela reforma agrária no país. 

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Antes do início da sessão, Salles e Stedile já haviam se encontrado próximo da porta do plenário e trocaram um aperto de mãos, provocado por Roberto Podval, advogado do líder do MST, mas que advoga também para o ex-ministro. Após o cumprimento, ambos sorriram.

Entre um gole e outro em seu chá-preto, Stedile escutou pacientemente Salles, que mudou seu estilo diante do líder do MST. O relator, costumeiramente incisivo em seus questionamentos, preferiu um estilo técnico e político, para surpresa da defesa do líder sem terra, que esperava outro comportamento.

Na véspera, Stedile foi instruído por sua equipe de defesa e assessores do movimento a evitar provocações e piadas com a tropa de choque bolsonarista. Também não responderia questões pessoais, deixando o depoimento circunscrito à sua trajetória de militante e líder do movimento.

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Costumeiramente, Zucco posiciona o depoente ao lado do relator, para que Salles possa inquirir as testemunhas mais de perto, se impondo fisicamente. No entanto, interlocutores do deputado federal e de Stedile acharam melhor intervir, para que eles se sentassem em lados opostos na mesa. Assim foi feito: o ex-ministro do Meio Ambiente ficou na ponta esquerda e o líder sem terra no lado direito.


Stédile e SAlles se comprimentam. Ao fundo, Roberto Podvall, que advoga para ambos / Foto: Myke Sena / Câmara dos Deputados

O candidato

Após meia hora de fala na abertura da sessão, direito regimentar do relator, Salles pediu mais 30 minutos, que foram aprovados por Zucco. Como o tempo é paralisado durante a resposta do depoente, o ex-ministro do Meio Ambiente falou durante três horas, assistido pelos 29 deputados federais inscritos na comissão.

A cada pergunta precedida por comentários longos de Salles, bolsonaristas suspiravam alto, ansiosos para que o ex-ministro os escutasse. Do outro lado, Stedile respondia cada questão aprofundando o tema, desenvolvendo teorias e colocando na mesa argumentos em defesa da reforma agrária. Para surpresa de governistas e oposicionistas, não era interrompido pela dupla Zucco-Salles.

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Em determinado momento, dois assessores de deputados bolsonaristas, irritados com Salles, conversavam sobre a postura do relator na CPI. "Ele está se comportando como candidato, quer aparecer para a audiência", disse um deles.

Salles é pré-candidato à Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2024. Embora o PL, seu partido, não o considere para o cargo, o ex-ministro de Bolsonaro pretende insistir na disputa e pode trocar de partido para concorrer no pleito. Um embate com um dos principais líderes da esquerda, em rede nacional, a um ano da eleição, é tentador demais para o relator da CPI.


Salles e Stédile em lados opostos na mesa / Foto: Reprodução/TV Câmara

Correram

Com o passar do tempo, a técnica adotada pela defesa de Stédile, de evitar o enfrentamento e as ironias, recurso que o líder do MST aprecia, funcionou e a sessão, que precisava pegar fogo para agradar as redes da extrema-direita, estava morna, estagnada na falta de conhecimento dos bolsonaristas.

Após a longa intervenção de Salles e da tranquilidade de Stedile, que seguia sem ser incomodado por questões da oposição, bolsonaristas começaram a abandonar a sessão. Da tropa de choque da extrema-direita na comissão, costumeiramente estridente, chamou a atenção que os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO), Zé Trovão (PL-SC), Marcos Pollon (PL-MS) e Capitão Alden (PL-BA) saíram antes que seus nomes fossem anunciados e não quiseram enfrentar o líder sem terra.

Após mais de seis horas de sessão, governistas e a direção do MST saíram aliviados, com a sensação de que o depoimento de Stedile colocou um ponto final na CPI. "Os deputados da base do agro militar não contavam com este depoimento. Na verdade, a CPI serviu para que as lideranças do MST contem a história do movimento e seus propósitos. Essa CPI se encerra hoje, daqui pra frente é só encher linguiça. Hoje, foi o fechamento com chave de ouro", afirmou Ney Strozake, advogado do líder sem terra.

O deputado Marcon (PT-RS) corroborou a sensação de fim de trabalhos. "Essa CPI pode ter acabado hoje, mas eles vão espernear até o último minuto e tem o relatório do Salles, que vai criminalizar o MST. Vamos esperar, mas não tem mais o que acontecer, agora é só esperar o relatório", disse.

Edição: Thalita Pires


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